domingo, setembro 12, 2010

Os Convencidos da Vida

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

domingo, maio 16, 2010

Em 1969, como hoje, José Régio.

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno sacrifício
De trinta contos só! por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

JOSÉ RÉGIO

quarta-feira, março 25, 2009

São Paulo - local ideal para praticar o pecado da gula! Ontem churrasco, hoje feijoada à brasileira e estou a pensar em Japones para amanhã.

terça-feira, março 24, 2009

Viajante. Preciso de ter sempre a mala pronta. Agora São Paulo, Brasil, depois de Londres, Munique e Berlin. Seguem-se Madrid e Barcelona.

Estou no meio da Terra
Perdido na luta, seguro de nós
Ouço palavras, as tuas
Ou será por dentro, o vento a sussurrar...

Pisei o Equador, imaginado
e senti calor, o teu
Bafejado, transpirado, pega-se ao corpo, meu e teu
Amor.

sábado, dezembro 20, 2008

Adaptação do Toma lá! ao poema Eternidade de Jorge de Sena porque é preciso aprender a celebrar a vida e urgente reaprender a amar!


Vens a nós
pequeno como um deus,
frágil como a terra,
e recebemos-te,
para invenção da nossa grandeza,
para o rodeio da nossa esperança.
Nasceste agora mesmo. Vem connosco.

terça-feira, janeiro 02, 2007

OLHA A REDUNDÂÂÂÂNNNNCIA FRESQUINHA !!!!

Quero desejar um ano muito mais inteligente a todos.

tomala@portugalmail.pt

domingo, abril 16, 2006

Sei que a época é de coelhinhos e afins... mas apetece-me antes chamar a atenção para os ratos...

"Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).
Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(O pouco sol que os ratos não roeram)."

Manuel Alegre

"Cada homem traz um rato na alma"
Que bela e sábia afirmação!
Sim... todos temos um rato na alma que, por diversas vezes ou em diferentes situações, tenta roer-nos o coração, a lua, o sol e o amor.
Não, não és excepção... é escusado. Se não formos nós próprios, alguém vem e ajuda o nosso rato.
Mas estamos sempre a tempo de gritar: NÃO aos ratos!

Boa Páscoa e não te deixes roer pelo seu rato (como se fosses chocolate).

sábado, janeiro 07, 2006

segunda-feira, agosto 22, 2005

Hoje li um artigo que me deixou perplexo.
Por um lado porque se trata de um editorial de uma revista de viagens (????), por outro porque não consigo reconhecer no "jornalista" que o escreveu a objectividade necessária para o exercicio da sua profissão, nem sequer capacidade analitica para compreensão do fenomeno de que está a falar.
Não vejo razões para maiores comentários. Basta lerem com atenção o primeiro parágrafo.
Quem és tu Zé Gato???? Posted by Picasa
Perguntas: Hectolitros de lágrimas públicas? Balada piegas do Rock in Rio? "Correntes Humanas"?
Resposta: Quem és tu Zé Gato? (mil desculpas na referencia ao "seriado" português cuja qualidade é enorme quando comparada com este "Director" da palhaçada e k7 pirata). É lamentável que haja espaço para "reflexões" ridiculas como as deste sr. no jornalismo português.

sexta-feira, agosto 05, 2005

O país está quente...

O governo fervilha de ideias maravilhosas para o país. A OTA, o TGV, o choque tecnológico, o IVA.

Eu arriscaria dizer que Portugal está a ferver.

Mas... esperem lá... este calor... este cheiro... eh pá ! Afinal não é do governo ! É o fogo que chegou ao meu quintal ! Acudam ! Chamem os Bombeiros !

Bem posso rezar pró vento mudar. A aldeia já ardeu toda e só falta a minha casa.

Mas o governo já está a tratar do assunto... Em 2016 o TGV vai transportar àgua para abastecer os bombeiros em tudo o que é canto deste país... Ainda bem que têm maioria absoluta. Assim podem ir em frente com estes maravilhosos projectos, tão bem estudados e planeados.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Hoje quis contar-te um segredo, murmurá-lo ao teu ouvido bem devagar.
Gostava que sentisses esta maré, este sopro do norte que nasceu comigo, esta solidão que cura.
Seria como se dessemos as mãos para mais uma viagem em nós.
Queria tanto que soubesses que é urgente amar!

EU AVISEI...


E PLURIBUS UNUM!Posted by Hello

domingo, setembro 12, 2004

Sem querer vi que estava outra vez a caminhar na ilusão. É uma ponte feita de todas as cores.
Um caminho feito de vazio e precipicio.
Um caminho feito de venda nos olhos...

sexta-feira, junho 18, 2004

Mais um livro para crianças de Maria de Lourdes Soares.

A Família SoLuas - Paulinas Editora - Ilustrações de Madalena Ghira

Fantástico !

quinta-feira, março 04, 2004

Se são pais ou acreditam que é bom oferecer livros (bons) a crianças aqui fica a sugestão de 4 livros de uma escritora portuguesa brilhante... Maria de Lourdes Soares.

Dos 5 aos 10 anos:
A Borboleta Leta - Edições Afrontamento - Ilustrações de Manuela Bacelar

Dos 9 até qualquer idade (bom mesmo para os pais):
A Serra Lilás - Livros Horizonte - Ilustrações de Joana Imaginário e Francisco Lança

Por último a partir dos 9 anos:

Histórias de Longe e de Perto (em co-autoria com Maria Odete Tojal) - Paulinas Editora - Ilustrações de Manuela Bacelar

Todos brilhantes... no conteudo, na forma e na imagem. Livros que fazem sonhar os mais pequenos, treinando o pensamento, formando a nova gente que aí vem. Destes vale a pena oferecer.

terça-feira, novembro 11, 2003

Não me apetece ir embora... momento poetico:

A vida é a curva da estrada
Morrer é só não ser visto
Eu escuto, te ouço a passada
Existir como eu existo (...)

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Sabia que curva em hungaro é puta?

a partir de agora passarei a transmitir sempre no final de cada post um endereço email para que digam atuardas!! Enfim, podem chamar-me nomes, tipo... és um mau ou és um cócó ou ainda dizer que a minha letra não se entende...
Prometo não responder a nada e prometo também a alguns só ler a primeira frase e apagar de imediato a mensagem!
Então vá lá pelintras, mandem tudo cá para fora:
tomala@portugalmail.pt
Hoje tive que lidar com pessoas que não pensam antes de dizer um disparate qualquer ! Tipo... como eu neste blog!! eheheh.
Imaginem aquela pessoa que errou, foi apanhada e até se desculpa o disparate mas... surpreendentemente, o personagem incompetente não só não repara que cometeu um erro como ainda se insurge gritando?! Onde é que eu quero chegar? Quero humildemente aconselhar os leitores (presumindo arrogantemente que os há...) a não serem precipitados ora pois!! este é um post contra isso mesmo, a precipitação.
...Se o líder da oposição tivesse lido isto...
Eu sei que às vezes a pressão do dia-a-dia gera decisões pouco ponderadas mas também sei que anda por aí muita gente estúpida, idiota e... lá está... repetidamente precipitada!